Mamãe besouro passa 9 dias sem comer para proteger os filhotes e emociona educadora ambiental: "Mãe dedicada"

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em Aqueça o coração

Bruna Pinto, conhecida como "Bu, que bicho é esse?", estava caminhando entre folhas recém-podadas quando uma cena chamou sua atenção.

Bem no chão, no meio dos galhos espalhados, uma mamãe besouro permanecia parada sobre um grupo de ovos minúsculos.

A fotógrafa e educadora ambiental decidiu ajudar e levou a família inteira para casa. E logo aquele resgate temporário foi evoluindo para uma aula sobre maternidade no mundo dos insetos.

Uma mãe dedicada

Acostumada a observar animais e compartilhar curiosidades sobre a natureza, Bruna acreditava que a besourinha talvez abandonasse os ovos assim que encontrasse uma oportunidade.

Afinal, muita gente associa insetos a comportamentos mais independentes e rápidos. Só que a mamãe besouro tinha outros planos.

Ela preparou um pote aberto para acomodar a pequena família. O detalhe importante era justamente o pote não estar fechado. A ideia era deixar a mamãe livre para ir embora se quisesse. Mas o comportamento dela chamou atenção desde o começo.

“Apesar de estar livre, ela resolveu ficar e ficava em cima dos ovos o tempo todo, só saindo para comer um pouco e logo voltava.”

Os dias foram passando e Bruna começou a acompanhar uma rotina que parecia mais comum entre aves ou mamíferos do que entre besouros.

A mamãe praticamente fazia plantão sobre os ovos, sempre posicionada como uma espécie de escudo vivo.

O grande momento

Com o passar dos dias, os filhotes começaram a nascer e a fotógrafa registrou tudo bem de perto. Os bebês saíam dos ovos enquanto a mãe permanecia ali, observando cada movimento.

“Que alegria! E a mamãe acompanhou tudo de perto, verificando se estava tudo bem.”

Logo depois da eclosão, os filhotinhos passaram a ficar agrupados embaixo dela.

O mais curioso é que a dedicação não terminou quando os filhotes cresceram. Conforme os dias passavam, os bebês foram ficando maiores, mais ativos e já nem conseguiam mais se esconder completamente embaixo da mãe. Mesmo assim, ela continuava por perto.

Bruna contou que a besourinha acompanhava tudo, como se estivesse fiscalizando os pequenos o tempo inteiro.

E a vigilância continuou até durante a fase de pupa, quando os filhotes ficaram imóveis passando pela transformação para a vida adulta.

“Ela ficou com eles. Nesse período em que ficaram parados se transformando por dentro, ela não arredou o pé de perto, nem para se alimentar.”

Segundo Bruna, a mamãe passou nove dias sem comer enquanto acompanhava a transformação dos filhos. Depois disso, começaram a surgir os primeiros adultos.

“Agora adultos, lindos, enormes e saudáveis, um após o outro. E ela acompanhou tudo.”

Em determinado momento, Bruna filmou um dos filhotes recém-transformados enquanto a mãe parecia encostar delicadamente uma das patas nele. A educadora ambiental brincou que a mãe deveria estar consolando o filhote: “Aguenta aí filhão, o pior já passou.”

Veja o vídeo:

Besouros-tartaruga podem ser boas mães

A história toda fez muita gente descobrir que insetos também podem apresentar comportamentos complexos de cuidado parental.

De acordo com um estudo publicado no periódico científico Journal of Natural History, algumas espécies de besouros-tartaruga exibem um comportamento chamado subsocialidade, quando a mãe permanece protegendo os filhotes mesmo após a postura dos ovos.

Os pesquisadores analisaram espécies brasileiras de besouros-tartaruga e descobriram que a presença da mãe aumenta significativamente as chances de sobrevivência da prole.

Quando os cientistas separaram as mães dos ovos, o número de ataques de predadores aumentou bastante em apenas 96 horas.

Segundo o estudo, a mãe fica posicionada sobre os filhotes utilizando as bordas alargadas do corpo como uma espécie de cobertura. Isso ajuda a bloquear ataques e dificulta a aproximação de predadores.

Esse cuidado é extremamente custoso para a mãe. Durante semanas, ela reduz a alimentação e passa a maior parte do tempo protegendo ovos, larvas e pupas contra predadores naturais, principalmente formigas e vespas.

Os pesquisadores também destacam que esse comportamento é raro entre besouros.

Embora o cuidado parental exista em muitos grupos de insetos, ele aparece em poucas famílias da ordem Coleoptera.

Besouro-tartaruga

Os besouros-tartaruga receberam esse nome por causa do formato arredondado do corpo, que lembra um casco de tartaruga. Segundo a Encyclopaedia Britannica, existem mais de 3 mil espécies espalhadas pelo mundo.

Muitos deles têm cores metálicas, brilhantes e até translúcidas. Algumas espécies tropicais chegam a parecer joias vivas. Já outras possuem tons dourados, avermelhados ou verdes.

Defesa criativa

Além do visual diferente, esses besouros desenvolveram várias estratégias curiosas de defesa.

Algumas larvas usam um “escudo fecal”, formado pelas próprias fezes e peles antigas acumuladas sobre o corpo para afastar predadores. Outras vivem agrupadas. E algumas espécies contam justamente com mães extremamente protetoras.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.