Cachorro se recusa a abandonar companheiro à beira da estrada até 'depois do fim', arrisca a própria saúde e recebe uma segunda chance

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em Aqueça o coração

No dia 14 de junho, um cão resgatado em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, encontrou um recomeço após ser localizado em uma estrada de terra ao lado do corpo do seu companheiro.

O animal permanecia na Estrada Geral Passo do Cruz, conhecida como Estrada do Comercial, sem sair de perto de um saco onde estava o outro felpudo sem vida.

Magro e debilitado, ele recusava o contato humano e fugia das tentativas iniciais de aproximação dos moradores da área.

O resgate foi coordenado pelo Projeto Social Ventos do Sul, após uma moradora ter enviado fotos da situação de abandono. A voluntária Fabi conseguiu realizar o resgate do cão, que recebeu o nome de Leal devido ao comportamento de fidelidade.

No mesmo local, os protetores encontraram outros dois cachorros em condições semelhantes de desnutrição. Todos os animais sobreviventes foram retirados do ponto de abandono e encaminhados para atendimento emergencial.

Leal deu entrada em uma clínica veterinária com sinais severos de caquexia e desidratação extrema.

Sob os cuidados da médica veterinária Andressa Doro, na clínica Essence Vet, o cão passou por exames laboratoriais detalhados, incluindo hemograma completo para identificar possíveis infecções e anemias causadas pelo longo período sem alimentação.

“O quadro de saúde dele é bom e estável. Ele está se alimentando bem normalmente e fazendo as necessidades fisiológicas com tranquilidade. O foco principal neste momento é o suporte nutricional e a hidratação, já que o nível de desnutrição indica que ele ficou um longo período privado de alimento”, explicou.

No entanto, o ambiente hospitalar causou estranhamento no animal devido ao seu histórico de traumas e privações nas ruas.

Leal demonstrou dificuldades de adaptação ao espaço fechado da clínica, o que motivou a transferência para um abrigo especializado após a melhora do quadro clínico e a estabilização das funções fisiológicas básicas.

A mudança de ambiente visou diminuir o estresse do paciente. No abrigo, o comportamento do cão mudou de forma positiva.

Leal demonstrou boa convivência com os outros 18 animais que vivem no local, passando a interagir e a demonstrar um temperamento dócil, calmo e silencioso.

O cão recuperou o peso ideal e aguarda a cirurgia de castração, procedimento padrão antes de seguir para um tutor definitivo.

A protetora Ruth Fontoura relatou que a transição do animal para o espaço coletivo ocorreu de maneira pacífica.

“Eu trouxe pra cá, pronto sabe, ele ficou super tranquilo, não tentou fugir nenhuma vez. Bom, não latiu, eu não sei como é o latido dele”, afirmou.

A vida em um espaço coletivo de proteção representa uma melhora em relação ao abandono, mas não substitui a estrutura de um lar definitivo.

Cães que passaram por traumas severos de perda e isolamento necessitam de uma rotina familiar estável para consolidar a recuperação psicológica e evitar recaídas de ansiedade.

Agora que está sob os cuidados de Ruth, ela explica que realiza uma triagem rigorosa com os candidatos à adoção por meio de um questionário específico.

A medida serve para garantir que os novos tutores tenham estrutura adequada para atender às necessidades de Leal, que é de porte pequeno e possui facilidade de socialização com outros pets.

“E aqui, como você viu, temos vários animais, totalizando 19 disponíveis para adoção, incluindo ele. Sempre mando um questionário onde a gente faz várias perguntas pra encontrar o lar ideal, mas a gente não vai doar pra qualquer um, até porque ele já passou por muito trauma, por muita coisa né, a gente quer um lar bem especial como ele é, a gente tá sempre doando. Só que, assim como a gente doa, aparece. Sempre aparece”, declarou Ruth Fontoura sobre o desafio contínuo do fluxo de novos abandonos na região.

Veja abaixo:

O caso ganhou repercussão nas redes sociais através do perfil @projetosocialventosdosul, onde os voluntários arrecadam fundos para cobrir os custos dos exames, medicamentos e internação dos animais recolhidos na cidade.

Os interessados em adotar o Leal ou contribuir com a manutenção do abrigo podem entrar em contato direto com a protetora Ruth pelo telefone (54) 99998-7801.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.