Indianos em quarentena estão abandonando seus pets nas ruas: ‘Não têm o que comer’

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A Índia é o segundo país mais populoso do mundo, com 1,36 bilhão de habitantes. Tal número reflete os desafios de seu sistema de saúde, que apesar dos avanços, ainda é precário e incapaz de atender a todos.

Com a pandemia do Covid-19, que já infectou mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo, o governo indiano decidiu bloquear todo o país e decretar quarentena geral, visando impedir a proliferação do vírus.

O Governo Executivo justificou a decisão dizendo que os hospitais não serão capazes de absorver toda a massa de potenciais infectados de uma só vez.

Tal medida é necessária, mas está causando um grande problema na Índia: dezenas de milhões de famílias pobres, que subsistem graças ao trabalho informal, estão ficando sem ter o que comer, e agora precisam escolher a quem alimentar - se eles ou seus animais de estimação.

Desamparadas pelo governo e sem opções, muitas pessoas estão abandonando seus cães, gatos e outros animais nas ruas, deixando seus pets à mercê da fome e da violência.

"A situação é muito assustadora", diz Sharma, porta-voz de uma ONG de bem-estar animal em Nova Délhi. "Estamos exaustos tentando impedir o abandono deles, ao mesmo tempo em que explicamos às famílias que seus cães não espalharão coronavírus, mas ninguém escuta", disse, sem esperanças.

O abandono de animais cresceu exponencialmente nos últimos meses e as ONGs estão tendo muitas dificuldades para absorver tantos animais de rua.

“É um desafio, um reflexo do nosso tempo”, disse Sharma.

Enquanto o governo federal tenta passar uma lei que beneficie famílias de baixa renda que não podem trabalhar nesse momento da pandemia, o Ministro da Saúde do estado indiano de Maharashtra fez um apelo aos donos de animais para não abandoná-los por conta de motivos mais torpes, como a justificativa de que cães e gatos são transmissores do coronavírus (não são!).

Gabriel Pietro têm 20 anos, é redator e freelancer. Fundou o Projeto Acervo Ciência em 2016, com o objetivo de levar astronomia, filosofia e ciência em geral ao público. Em dois anos, o projeto alcançou milhões de internautas e acumulou 400 mil seguidores no Facebook. Como redator, escreveu para vários sites, como o Sociologia Líquida e o Segredos do Mundo. Ainda não sabe se é de humanas ou exatas, Marvel ou DC, liberal ou social-democrata. Ama cinema, política, ciência, economia e música (indie). Ainda tentando descobrir seu lugar no mundo.