Logomarca Amo meu PET

Repórteres descobrem esquema de corridas clandestinas envolvendo cães galgos no RS

Por
em Notícias

Rinhas e competições de animais são extremamente cruéis e há algumas décadas atrás se tornaram ilegais, mas algumas pessoas ainda insistem nessa prática lamentável.

Corridas de galgos, ou carreiras, como são chamadas, são comuns no Rio Grande do Sul. São dados remédios e energéticos para esses cães competirem, e eles, que costumam ser dóceis, passam a se comportar de forma violenta.

A RBS TV fez uma reportagem em dezembro, acompanhando uma dessas corridas, em Santana do Livramento. Sem saber que estava sendo gravado, um homem que cria galgos de corrida para venda, admitiu as sequelas.

"Quebra uma mão, quebra uma perna. Esses dias, correndo lá em Bagé, quebrou o garrão (pata)", ele disse.

Valendo dinheiro, a atividade aconteceu numa pista de um bairro da cidade, com pessoas aglomeradas e sem máscaras. Havia crianças entre os frequentadores.

Os pobres cães correm diante de um pano que imita as feições de uma lebre, puxado por um cabo. Imaginando perseguir a presa, o galgo corre desesperadamente até a linha de chegada. Ao término de uma dessas baterias, a reportagem flagrou o momento em que os cães passaram a se atacar uns aos outros, violentamente, a ponto de os donos terem de intervir.

"Então eles ficam com uma psique muito agressiva. Aí, muitas vezes, esses animais, ao chegarem nesse final, são frustrados no seu objetivo, que seria capturar aquele coelho (lebre), e acabam voltando essa agressividade, essa energia toda concentrada neles, neles próprios", explica o professor João Sérgio de Azevedo, da Faculdade de Medicina Veterinária da Ulbra.

Polêmica na destinação de verbas

Em Bagé, na Fronteira do RS, uma das pistas de corridas está localizada no Parque do Gaúcho. À pouco tempo atrás, surgiu uma emenda parlamentar do deputado federal Dionilso Marcon (PT) para construir um centro de convivência para frequentadores e apostadores, em torno da cancha. A obra de R$ 250 mil está em andamento.

Ativistas e a vereadora Beatriz Souza (PSB) entendem que houve desvio de finalidade na construção da obra, que deveria beneficiar o parque como um todo, e não apenas parte dele. Além disso, questionam o fato de o poder público incentivar algo que promove a contravenção e os supostos maus-tratos. O caso está sob investigação no Ministério Público.

"Existe essa mácula nessa emenda, mentindo que seria investindo em cultura, e não, está se investindo em cultura de crime dentro do Parque do Gaúcho", afirma a vereadora, cujo projeto de lei para proibir a prática foi rejeitado na Câmara de Bagé.

Nota da Prefeitura de Bagé

Sobre a construção do centro de eventos para criadores da raça no Parque do Gaúcho, os recursos foram concedidos pelo governo federal, por meio de emenda parlamentar do deputado Dionilso Marcon (PT), sem contrapartida do município.

Nota da Associação Bageense de Criadores de Galgos

Segundo eles:

“Os cães são feitos para serem utilizados. Todas as raças foram desenvolvidas pelo homem, para a realização de trabalhos específicos e cada uma dispõe de um conjunto de características físicas, biológicas e comportamentais específicas e direcionadas ao melhor desempenho da função para a qual foi desenvolvida. Assim, existem os cães de pastoreio (capazes de conduzir rebanhos inteiros e substituem vários homens a cavalo na condução de uma boiada); existem os cães de proteção de rebanhos (capazes de matar e morrer para proteger seu território, seus donos e seu rebanho); cães de faro (que são capazes de encontrar em minutos o que um batalhão de homens levaria horas), e assim por diante.”
“Então, em se tratando de cães Galgos, fazê-los correr não pressupõe, aprioristicamente, maus tratos. É o oposto. Negar a esses cães a oportunidade de exercerem a atividade para a qual são vocacionados, isto sim, consiste em maus-tratos. Desenvolver grandes velocidades é o que eles mais adoram fazer, e, estimular a criação dessas raças é fundamental para que a espécie canina possa contar com esses doadores de sangue que salvam muitas vidas, e a sociedade possa continuar a usufruir da sua beleza e excepcional temperamento.” [...]

Cristian Nogueira Lopes, TITA DE BAGÉ, Presidente da Associação Bageense de Criadores de Galgos.

Você pode assistir a reportagem completa clicando aqui.

Gabriel Pietro têm 20 anos, é redator e freelancer. Fundou o Projeto Acervo Ciência em 2016, com o objetivo de levar astronomia, filosofia e ciência em geral ao público. Em dois anos, o projeto alcançou milhões de internautas e acumulou 400 mil seguidores no Facebook. Como redator, escreveu para vários sites, como o Sociologia Líquida e o Segredos do Mundo. Ainda não sabe se é de humanas ou exatas, Marvel ou DC, liberal ou social-democrata. Ama cinema, política, ciência, economia e música (indie). Ainda tentando descobrir seu lugar no mundo.