Com concorrência em alta, pet shops precisam oferecer tosas diferenciadas

Para se destacar no mercado, profissionais precisam ir além da tosa higiênica e oferecer soluções de estética animal

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A indústria de produtos para animais de estimação cresceu significativamente nos últimos anos. Enquanto o faturamento era de R$ 3,3 bilhões em 2006, em 2019, esse valor saltou para R$ 22,3 bilhões. Acompanhando esse movimento, muitos empreendedores aproveitaram o bom momento para abrir um negócio no setor. Basta uma volta pelo bairro para perceber que existem inúmeras opções para atender aos pets da região. Nesse cenário, surge um novo e complexo desafio: como se destacar entre tantos concorrentes?

“Dependendo do bairro, um pet shop que abre oferecendo aquele banho e tosa básico vai ter bastante dificuldade de se manter”, acredita Natália Espinosa, groomer internacional e diretora da Uau Escola de Estética Animal, localizada em Sorocaba/SP. “Hoje, os clientes não buscam apenas manter o cachorro limpo, eles querem inovação, procuram por um estilo marcante. É o que chamamos de estética animal.”

Na corrida para oferecer um serviço diferenciado, donos e funcionários de pet shops têm procurado cursos e especializações. Quem ganha com isso são os tutores que encontram diversas opções para seus pets.

Conheça os diferentes tipos de serviços

Tosa higiênica

Tratamento básico oferecido por praticamente todos os pet shops, a tosa higiênica tem o foco em aparar os pelos de áreas específicas e dar acabamento. É um procedimento simples, mas sua importância, como o nome já diz, é manter a higiene e, consequentemente, a saúde.

“Algumas raças, em especial as de pelagem longa, têm muitos pelos embaixo das patinhas, fazendo com que o cão escorregue, aumentando o risco de problemas ortopédicos. Além disso, pelagem longa, em alguns locais, favorece o acúmulo de urina, fezes e até proliferação de fungos que acarretam em problemas dermatológicos. Pelinhos que não são escovados, ou aparados, próximo aos olhos, podem causar problemas oftalmológicos”, esclarece a groomer. “Essa tosa é tão importante que se tornou um serviço essencial para a saúde do animal”.

Tosa tesoura

Uma prática que tem se popularizado nos últimos anos é a tosa feita com a tesoura. Em pelagens lisas, o procedimento é chamado de Tosa Bebê. Pode ser realizado em várias raças populares como Shih Tzu, Yorkshire Terrier, Spitz e Poodle. Diferentemente da máquina, que corta toda a pelagem por igual e geralmente mais curto, esta técnica exige mais habilidade do profissional e conhecimento, pois é necessário conhecer anatomia da raça e saber trabalhar com diferentes tipos de pelagem. Um profissional capacitado é capaz de realizar um trabalho de escultura do pelo, escondendo defeitos anatômicos e realçando as qualidades, sendo recomendado para cães com pelagem média a longa, ou que tenham alergia à tosa na máquina.

“Um profissional que oferece uma boa tosa de tesoura já consegue se diferenciar no mercado. Como é um trabalho mais demorado e delicado, é uma boa sugestão para quem busca aumentar o ticket médio do seu negócio”, orienta Natália.

Tosa Padrão de Raças

Algumas raças têm padrões de tosas específicos para enaltecer as principais características. No Brasil, esse serviço ficou conhecido como trimming (tosa em inglês). Geralmente essas tosas exigem diferentes técnicas dependendo da raça, utilizando um mix de tesoura, máquina e instrumentos de handstripping que é um processo de remoção de pelagem.

“Um trimming que faz muito sucesso é o padrão da raça Golden Retrivier”, explica Natália. “Quando bem realizado, o efeito naquele pelo dourado é bem marcante. Conseguimos destacar a musculatura, corrigir dorso e tirar as ondas. O cão fica esbelto e cai menos pelos na casa. Neste caso, a pelagem jamais poderá ser tosada com máquina, o correto é fazer a técnica de carding que é umas modalidades do handstripping.”

Handstripping

É uma técnica não muito popular que pode ser realizada em cães de pelagem dura e Spaniels. O handstrinpping segue o padrão da raça, para que o cão fique com a pelagem conforme o modelo. Totalmente indolor, o procedimento visa a renovação da pelagem e é realizado com o uso das mãos e instrumentos específicos, como pedras e facas de stripping. Uma orientação é que o procedimento seja realizado desde filhote, desse modo, o resultado é mais interessante. Terrier Escocês, Schnauzer e Cocker Spaniel Inglês são exemplos de raças que podem fazer o handstripping. Uma das técnicas utilizadas comumente é a remoção de subpelo, feito em cães que estão na troca da pelagem ou com queda, como Pastores em geral, Goldens e cães nórdicos, como Samoieda e Akita.

Tosa asiática

Já a tosa asiática ficou conhecida por dar um acabamento mais fofo ao pet, com orelha longa, topete e um laço em destaque. As patas também costumam ser cheias, em formato de cone, e a cauda longa. Nesse procedimento, o corpo é todo tosado na máquina com lâmina baixa, o focinho fica fofo, bem curtinho e arredondado. Costuma ser feita em raças de pelagem longa como Maltês, Yokshire Terrier, Lhasa Apso e Poodles. Porém, é importante ressaltar que essa tosa não tem um padrão específico. É um estilo livre que pode ser explorada de diversas formas, inclusive em algumas raças, como Schnauzer.

“Normalmente, a tosa asiática é recomendada para cães que o tutor não tem muito tempo para escovar, que gostam de usar roupinha, ou molham muito o bigode na hora de beber água”, esclarece Natália.

Coloração da pelagem

Além da tosa, alguns tratamentos podem trazer uma aparência muito mais moderna e colorida para o pet da família. Uma das tendências são os serviços de coloração da pelagem. Nessa opção, é preciso ressaltar que as tintas utilizadas são específicas para o tratamento animal e não provocam reações. O resultado são animais coloridos, fofos e muito estilosos. São várias opções de tinturas, desde as canetas de glicerina, que duram até o próximo banho, além de tintas semipermanentes, dentre outras.

“Como profissionais de um mercado tão competitivo, nós precisamos sempre aprimorar as técnicas para oferecer o que há de mais novo no setor”, orienta Natália. “O consumidor já sabe diferenciar um bom profissional e o desenvolvimento de novas habilidades está cada vez mais importante”.

Texto: JF Gestão de Conteúdo.

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