"Firmes, destemidos e sem trabalho forçado", diz PM sobre cães que ajudaram em Brumadinho

O rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro deste ano, resultou em um dos maiores desastres com rejeitos de mineração do Brasil - e do mundo. Ao menos 245 pessoas morreram no incidente, e ainda há 25 desaparecidos.

Nos meses que sucederam o rompimento, agentes de segurança e resgate contaram com o trabalho incansável de dezenas de cães treinados especialmente para operações de salvamento pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo.

Entre janeiro e junho, unidades do Canil do 1º GB (Grupamento de Bombeiros) da Polícia Militar da capital paulista estiveram por três vezes em missões de resgate na cidade mineira e se apoiaram nos instintos dos animais, submetidos anteriormente à rigorosos critérios de recrutamento, treinamento e habilitação para localizar sobreviventes e corpos de vítimas da tragédia.

"O animal tem que ser curioso, brincalhão e gostar de brincadeiras. A gente faz tudo na diversão e não há nada forçado. Também não pode ter medo. Tem que ser destemido e firme. Algumas situações ele tem que passar por obstáculos", afirma Ricardo Oliveira, 2º sargento responsável por uma das equipes do Canil dos Bombeiros.

Nos trabalhos de resgate em Brumadinho, quatro dos oito cães da corporação foram convocados: Hope, de três anos; Vasty, de sete; e Cléo, de três anos (todas pastoras belgas malinois), além da labradora Sarah, de quatro anos.

O sargento Ricardo Oliveira explica que, inicialmente, foi necessária uma intervenção imediata, pois havia muitos corpos na superfície. Porém, com o passar do tempo, as equipes precisaram ficar atentas para localizar os corpos que foram soterrados pela lama de rejeitos. "Havia corpos intactos e segmentos [partes]", relembrou o bombeiro.

O Canil de São Paulo viajou para Minas Gerais com equipes formadas por três homens e dois cães, em todas as missões. Cada “binômio” (equipe) tinha um homem, um cão e um bombeiro de auxílio, responsável pelo mapeamento da área e pela coleta de dados do local vistoriado.

Ricardo reafirmou a satisfação em poder ajudar o próximo em meio à catástrofe e a emoção vivida pela equipe de agentes de resgate. Ele lembrou com carinho dos abraços, apertos de mãos e dos agradecimentos de moradores da cidade e outros municípios vizinhos.

"O cúmulo da emoção foi um senhor que nos chamou e mostrou um poema que ele tinha escrito para a gente. Foi aquela hora em que caiu um caminhão de ciscos nos olhos. Ele disse que tinha vários amigos e uma sobrinha que ainda não havia sido encontrada. Todos ficaram emocionados", contou.

Fonte: R7

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro têm 20 anos, é redator e freelancer. Fundou o Projeto Acervo Ciência em 2016, com o objetivo de levar astronomia, filosofia e ciência em geral ao público. Em dois anos, o projeto alcançou milhões de internautas e acumulou 400 mil seguidores no Facebook. Como redator, escreveu para vários sites, como o Sociologia Líquida e o Segredos do Mundo. Ainda não sabe se é de humanas ou exatas, Marvel ou DC, liberal ou social-democrata. Ama cinema, política, ciência, economia e música (indie). Ainda tentando descobrir seu lugar no mundo.

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