Veterinária luta por dias para salvar ave paralisada e ganha a ‘andadinha’ mais feliz de agradecimento: "Foi uma guerreira"
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Há alguns meses, uma calopsita chegou até Rayssa Fontenele, veterinária especializada em pets não convencionais, em estado grave.
Graças ao tratamento intensivo ela sobreviveu e emocionou milhares de pessoas nas redes sociais.
O caso foi compartilhado pela veterinária e serviu de alerta aos tutores sobre os perigos da intoxicação por metais pesados em aves de estimação.
Um quadro grave que assustou logo na chegada
No vídeo publicado no Instagram, Rayssa mostrou o estado delicado em que a paciente chegou.
“Paciente chegou nessa situação pra mim… Os pés todos enrolados, cabeça para trás e não dava um movimento sequer”, relatou a veterinária.
Diante da gravidade, a equipe iniciou imediatamente o atendimento emergencial. Foram necessárias diversas medicações, hidratação, aquecimento e suporte com oxigênio. Mesmo com todos os cuidados, o quadro ainda preocupava bastante.
O diagnóstico
Apesar do tratamento intensivo, a calopsita seguia sem força para sustentar o pescoço. Ela também não conseguia se alimentar sozinha, sendo alimentada diariamente por sonda.
Em um dos momentos registrados, a ave até tentou comer, mas não tinha forças suficientes para quebrar o alimento.
Diante da evolução lenta, a equipe optou por realizar um exame de imagem. O raio-X revelou a causa do problema: intoxicação por metais.
Segundo Rayssa, o diagnóstico foi decisivo para direcionar o tratamento correto. A partir daí, o foco passou a ser não apenas o suporte clínico, mas também a eliminação progressiva desses metais do organismo da ave.
Pequenos sinais de melhora
A recuperação não foi rápida e nem simples. Em um primeiro momento, a calopsita passou a levantar a cabeça, embora ainda não mexesse as pernas. Depois, conseguiu ficar em pé, mesmo com as patinhas ainda enroladas.
Cada pequeno avanço era comemorado. Até que, certo dia, a ave conseguiu andar sozinha. E, então, correr até a redinha favorita.
“Uma recuperação de encher os olhos!”, escreveu Rayssa na legenda da publicação.
Como acontece a intoxicação por metais em aves?
Nos comentários, muita gente quis entender como uma situação tão grave pode acontecer dentro de casa. A veterinária explicou que o risco, muitas vezes, passa despercebido pelos tutores.
“Nossos móveis de casa têm parafusos, metais, e muitas vezes os tutores não se atentam. As aves vão roendo, e esses metais vão se depositando no ventrículo até que intoxicam”, alertou.
Ela destacou a importância de ter cuidado especial com metais, como chumbo e zinco, que estão presentes em diversos objetos do cotidiano.
Uma internauta complementou com um relato pessoal doloroso. Ela contou que já teve um agapórnis que chegou em estado gravíssimo por intoxicação metálica e, infelizmente, não resistiu, mesmo com todos os cuidados.
A experiência a fez redobrar a atenção com gaiolas, comedouros, brinquedos e qualquer item que tivesse partes metálicas.
De acordo com o Manual MSD Veterinário, a intoxicação por metais pesados, especialmente chumbo e zinco, é relativamente comum em aves de estimação.
O problema geralmente ocorre após a ingestão de objetos metálicos presentes no ambiente doméstico, como:
- persianas
- bijuterias
- espelhos
- brinquedos
- telas metálicas
- pesos de cortina
- partes da própria gaiola
Após ser ingerido, o metal se degrada no ventrículo da ave e é liberado lentamente no trato gastrointestinal e na corrente sanguínea.
O chumbo, por exemplo, pode se acumular em tecidos moles e ossos, sendo eliminado muito lentamente, o que agrava o quadro ao longo do tempo.
Sintomas
Os sinais clínicos variam, mas podem incluir:
- perda de apetite
- emagrecimento
- diarreia
- depressão
- perda de equilíbrio
- fraqueza
- convulsões
- cegueira
- alterações urinárias
Em muitos casos, as radiografias revelam claramente fragmentos metálicos no trato digestivo, como aconteceu com a calopsita atendida por Rayssa.
O tratamento exige tempo, paciência e dedicação
Segundo o Manual MSD, o tratamento da intoxicação por metais envolve cuidados de suporte intensivos, como fluidoterapia, nutrição assistida e controle de sintomas, além da chamada terapia quelante, que ajuda o organismo a eliminar o metal acumulado.
Em casos mais graves, pode ser necessária até a remoção endoscópica ou cirúrgica do material metálico.
A eliminação da fonte de intoxicação do ambiente também é fundamental para evitar recaídas.
Rayssa reforçou que, apesar da recuperação ser possível, nem todos os casos têm um final feliz.
No caso dessa calopsita, o quadro era tão avançado que a sobrevivência já foi considerada uma vitória.
“Do jeito que ela chegou, foi uma guerreira por sobreviver”, afirmou.
Um alerta para todos os tutores de aves
Mesmo aves que aparentam estar bem podem ter metais acumulados no organismo.
Questionada se é possível avaliar o ventrículo mesmo quando o animal parece saudável, Rayssa foi direta:
“Sim. Só fazer um raio-X que aparece na radiografia os metais”.
Observar mudanças de comportamento, perda de equilíbrio, fraqueza ou qualquer sinal fora do normal é essencial.
E, diante de qualquer suspeita, a recomendação é procurar imediatamente por um veterinário especializado em aves.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.










