“Não foi porque eu quis”: Jovem conta como acabou com 13 animais mesmo sem querer adotar nenhum

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em Cães

A jovem Kaylane Mendes é tutora de 13 animais e, segundo ela, “não foi porque eu quis”. A frase, à primeira vista, pode até parecer estranha, mas faz sentido assim que a gente entende o que existe por trás dela.

Não se trata de falta de amor — muito pelo contrário. Kaylane apenas quer deixar claro que essa história não começou com um plano, uma lista de nomes ou o desejo de ter uma casa cheia de pets.

Começou com algo bem mais simples e, ao mesmo tempo, muito mais forte: ela não conseguiu virar o rosto quando um animal precisava de ajuda.

Kaylane explica que tudo surgiu a partir de resgates inesperados, pedidos de socorro e encontros que pareciam acontecer “por acaso”, mas que mudavam o rumo do dia — e, com o tempo, mudavam também o rumo da vida dela.

Um animal aparecia vulnerável, outro era deixado para trás, outro precisava de abrigo por poucos dias… e, quando ela percebia, já estava ali, de novo, oferecendo acolhimento, alimento, segurança e uma chance real de recomeço.

Foi assim que a casa dela começou a se transformar. Não em um lugar perfeito, mas em um lugar possível.

Um lugar onde um bichinho machucado não precisava mais se esconder. Onde um olhar assustado encontrava calma. Onde o “depois eu vejo” virava “vem cá, eu cuido”.

E, como acontece com tantas histórias de amor que chegam sem avisar, o que era para ser passageiro foi criando raízes.

A turminha da Kaylane

O primeiro da lista é o Romeu, um cachorro de pelagem preta, hoje com cinco anos, que foi abandonado ainda muito novinho.

Ele tinha cerca de dois meses de vida quando foi deixado dentro de uma caixinha de papelão em frente a uma loja, como se fosse um objeto descartável.

Pequeno demais para se defender, frágil demais para sobreviver sozinho, ele não fazia ideia do que estava acontecendo — apenas sentia que tinha sido deixado.

Quando Kaylane o acolheu, a ideia era oferecer lar temporário, um refúgio seguro até aparecer alguém disposto a adotá-lo. Mas, a cada dia, Romeu parecia se encaixar mais. E foi assim que ele conquistou o coração dela.

O que era para ser apenas acolhimento virou escolha definitiva. Desde então, Romeu nunca mais ficou sozinho: ganhou casa, rotina, cuidado e uma família que decidiu não desistir dele.

Depois vem a Vitória, de três anos, que também chegou pela dor. Ela foi abandonada ainda filhote, quase sem forças, lutando pela própria vida na rua. Não era apenas uma cachorrinha assustada: era uma vidinha no limite, precisando de amparo, de alguém que dissesse “agora você está segura”.

Quando Kaylane soube do caso, não conseguiu fingir que não viu. Acolheu a pequena como lar temporário e fez o que sempre faz: ofereceu o básico que vira milagre quando alguém nunca teve nada. Comida, água, proteção, carinho e paciência.

E, como tantas vezes acontece, o “temporário” virou permanência. Vitória ganhou espaço e nunca mais saiu de perto.

Os irmãos felinos Raphael e Pintadinha, de cinco anos, também têm uma história marcante. Eles foram abandonados debaixo de um viaduto, um lugar perigoso e sem proteção, onde o medo mora em cada som e cada movimento. Ali, tudo ameaça: o frio, a fome, o barulho, os riscos invisíveis e o abandono que parece não ter fim.

Quando chegaram na vida de Kaylane, era para ser mais um lar temporário. Mas logo ficou claro que separar os dois não fazia sentido.

Havia um vínculo ali que não precisava de explicação — eles se tinham. E, quando o mundo falha com alguém, às vezes o único conforto é ter um ao outro por perto. Kaylane entendeu isso.

Raphael e Pintadinha encontraram tranquilidade, rotina e um lugar onde podiam simplesmente existir sem medo. O que era para ser provisório virou definitivo, e hoje os dois são parte da família.

O Apolo é outro cachorrinho que chegou após um começo injusto. Ele foi abandonado ainda filhote, com apenas quatro meses de vida. É aquela idade em que um cão deveria conhecer brincadeiras, colo e segurança — não o abandono.

Kaylane o acolheu e permitiu que ele crescesse com aquilo que a rua nunca ofereceria: estabilidade. Hoje, com seis anos, Apolo é um companheiro fiel.

Já a Polaca, uma gatinha de seis anos, chegou carregando marcas que não eram apenas físicas. Ela sofria maus-tratos e precisou ser retirada daquela realidade para ter uma chance de recomeçar.

Quem vê um animal assim sabe: não é só medo — é trauma. É desconfiança aprendida. É o corpo esperando dor mesmo quando ninguém levanta a voz.

Kaylane a acolheu como lar temporário, oferecendo aquilo que a Polaca nunca teve de verdade: respeito. Segurança. Um ambiente onde o toque não significava ameaça. E a transformação começou a acontecer.

Polaca não precisava ser “grata”. Só precisava ter paz. E foi exatamente isso que encontrou. Com o tempo, a presença dela passou a ser tão natural que não havia mais discussão: o lar era ali. E o “temporário” virou definitivo.

Gata Mãe e Gata Filha são duas gatinhas de pelagem preta, uma com sete anos e outra com seis. A história delas começou quando a mãe foi abandonada já prenha. Não é difícil imaginar o desespero: uma gata vulnerável, sozinha, prestes a dar à luz, sem ter onde se esconder, sem ter como se proteger.

Kaylane resgatou a mãe e ofereceu lar temporário para que ela tivesse comida, descanso e segurança. Assim, o nascimento aconteceu sob proteção.

A Camélia, por sua vez, foi abandonada debaixo de uma lixeira. Um lugar que resume o que muitas pessoas fazem quando desistem de um animal: tratam como descarte.

Camélia foi encontrada nessa situação e está com Kaylane há sete meses em lar temporário, recebendo cuidados, alimentação e carinho enquanto aguarda a chance de encontrar uma família definitiva.

E tem também a Íris, uma cachorrinha que sofreu maus-tratos, mas hoje, com 10 anos, vive uma vida feliz e segura ao lado de Kaylane.

Diferente dos outros resgates, ela não foi apenas lar temporário. Desde o início, Kaylane decidiu que Íris ficaria.Íris ganhou: estabilidade, carinho e um lar definitivo.

A lista continua com a Maria, de seis anos, outra cachorrinha abandonada em frente a uma casa, que Kaylane simplesmente não conseguiu ignorar.

Maria chegou como lar temporário, como tantos outros. E, junto dela, veio a Sorriso, um vira-lata caramelo de cinco anos, também acolhido em um desses momentos em que a vida pede atitude e o coração responde primeiro.

E, dentre tantos, existe um companheiro especial: um cachorro de dez aninhos que Kaylane ganhou ainda quando era criança.

Ele foi o primeiro laço, o primeiro amor, a primeira experiência de cuidado que ensinou, lá atrás, que animal não é passatempo — é compromisso.

Na época, ela não imaginava que depois dele viriam outros 12. Não imaginava que sua casa se tornaria refúgio. Não imaginava que ela conheceria tantas histórias de abandono, medo e recomeço.

Mas foi exatamente assim que aconteceu.

Porque, no fim, quando Kaylane diz que “não foi porque eu quis”, ela está dizendo algo muito maior: foi porque eles precisavam.

Foi porque alguém tinha que parar. Alguém tinha que acolher. Alguém tinha que fazer o que muitos não fazem: olhar para um animal sem dono e enxergar uma vida inteira ali, esperando por uma chance.

E a verdade é que ninguém planeja virar abrigo, colo, cura e destino. A gente vira quando escolhe não ignorar. E Kaylane escolheu. Todos os dias.

Kaylane compartilhou sua turminha em seu perfil do Instagram, @anakya.m, no dia 19 de janeiro, e a publicação acumulou mais de 1,4 milhão de visualizações, além de milhares de comentários.

Assista:

São fofinhos demais!

Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.

Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.

Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.

Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.