“Voa, Orlando, vai ser feliz”: Família se despede após curar ave, mas no dia seguinte recebe o melhor agradecimento
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Em fevereiro, uma família entrou em contato com Belisa Santos, para avisar que havia uma maritaca parada na cerca de casa havia bastante tempo.
O detalhe que chamou a atenção foi que o animal parecia extremamente manso e, principalmente, não estava voando.
Quando Belisa chegou ao local, tentou se aproximar com comida.
A maritaca permitiu a aproximação, mas não demonstrou interesse em se alimentar.
Apesar de parecer relativamente bem, algo claramente não estava certo.
Em determinado momento, assustada, a ave se jogou no mato. Ainda assim, foi possível resgatá-la com cuidado.
Como havia sinais de que poderia estar doente ou ferida, a decisão foi levá-la ao veterinário.
Descoberta no veterinário
A história completa foi compartilhada por Belisa Santos em uma publicação no Instagram no dia 9 de março.
Ela contou que a equipe já havia notado algo estranho antes mesmo dos exames.
Orlando, como foi chamado, apresentava uma bolsa de ar bem visível no peito.
Nos exames veterinários, apareceu que a maritaca apresentava uma alteração no fígado e também já era uma ave mais velha.
Por isso, o tratamento recomendado seria longo, cerca de 60 dias de medicação e acompanhamento.
Nova rotina dentro de casa
Com o diagnóstico em mãos, Orlando ganhou temporariamente um novo lar.
A ideia sempre foi cuidar da ave até que ela pudesse voltar à natureza com segurança. Mas, nos primeiros dias de convivência, a maritaca começou a demonstrar sinais de melhora.
“Em poucos dias, ele já estava mais ativo”, contou Belisa.
E então veio o momento que todos aguardavam: Orlando tentou voar e conseguiu. Depois disso, desapareceu por algumas horas.
Para quem estava cuidando dele, parecia o desfecho natural da história.
“A gente achou que talvez aqui tivesse sido o nosso papel”, explicou.
Mas Orlando ainda tinha outra surpresa reservada.
O retorno que ninguém esperava
No dia seguinte, a maritaca voltou. Não apenas apareceu nas proximidades, como retornou exatamente ao lugar onde havia sido cuidada.
O gesto foi interpretado como um sinal de confiança.
“Voltou para o lugar onde foi cuidado e onde se sentiu seguro”, escreveu Belisa.
Desde então, Orlando continua aparecendo enquanto segue em tratamento.
A convivência virou parte da rotina da casa, ainda que com um objetivo muito claro: permitir que ele recupere totalmente sua autonomia.
A decisão sobre o futuro, no entanto, não será dos humanos.
“Quando ele estiver totalmente recuperado, a escolha será dele. Se irá voar e seguir ou permanecer com a gente.”
Amar também é preparar para a liberdade
Para Belisa, a presença de Orlando trouxe reflexões profundas sobre a relação entre humanos e animais.
Na legenda da publicação, ela escreveu:
“O Orlando tem me ensinado que amar também é preparar para a liberdade. Amar, genuinamente, é fortalecer o outro para que ele possa escolher, e permitir que a escolha venha da segurança, nunca da dependência.”
Veja o vídeo:
Caso parecido
Um caso parecido aconteceu recentemente com um casal de São Paulo.
Murilo Henrique e Lara Almeida encontraram uma maritaca no chão com a asa completamente enrolada em um barbante.
Sem conseguir voar, a ave estava presa e vulnerável.
Com muito cuidado, Lara começou a desenrolar o barbante fio por fio, libertando a asa da maritaca.
Depois disso, ofereceram água e alimento enquanto a ave recuperava as forças.
Quando finalmente conseguiu voar com firmeza, ela seguiu até uma árvore próxima.
Mas, antes de desaparecer entre os galhos, virou-se brevemente na direção do casal e levantou a asa, um gesto que foi interpretado como um pequeno “tchau”.
“De nada, foi ótimo cuidar de você. Tchau”, disse Murilo no vídeo.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.











