“Divulga a adoção”: Mesmo sem quase nada, morador coloca futuro de cadelinha em primeiro lugar e pede ajuda
No Rio de Janeiro, história de cuidado nas ruas comove e mobiliza pessoas por um final feliz
Por Sabrine Paludo em CãesEra por volta das 22h quando Gabriela Botelho e o marido desembarcaram no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Como em tantas outras semanas, era apenas mais uma viagem de trabalho chegando ao fim. Mas, naquela noite, um encontro inesperado mudaria completamente o caminho deles.
Na saída, em frente ao estacionamento, estava seu Fabiano. Sentado no chão, ao lado de uma cadelinha. A cena, à primeira vista, não parecia incomum. Em entrevista ao Portal Amo Meu Pet, Gabriela Botelho afirmou que a principio era uma cena vista todos os dias naquele ponto da cidade.
“Ali é uma região que tem muitas pessoas em situação de rua, então não foi algo que chamou atenção de imediato”, contou Gabriela.
Mas bastou uma abordagem para que tudo ganhasse outro significado.
Seu Fabiano pediu comida. Para ele e para a cachorrinha. Disse que não pedia dinheiro, apenas algo para comer, se eles tivessem. E, no meio da conversa, fez um pedido que mudou tudo.
Que divulgassem a adoção da cadela. O pedido foi publicado em um vídeo no Instagram de Gabriela, que já atingiu mais de 300 mil visualizações.
“Ele reforçou muito isso. Que muitos cães são abandonados ali no entorno do aeroporto e que ele sempre pede ajuda para tentar encontrar famílias para eles”, relembrou.
A cadelinha era Astronauta.
Um vínculo que nasceu na rua
Enquanto falava, seu Fabiano fazia carinho nela. Apresentava com orgulho. Contava que era companheira, carinhosa, “grudenta”, como ele mesmo descreveu no vídeo.
Não era só um cachorro ao lado dele. Era uma presença constante em uma vida sem garantias.
Mesmo vivendo em situação de rua, seu Fabiano cuida dos animais que aparecem por ali. Divide o pouco que tem, acolhe os que foram deixados para trás e tenta, sempre que possível, mudar o destino deles.
“Ele disse que não tem como cuidar de todos, porque sempre chegam novos. Então tenta encontrar alguém que adote”, explicou Gabriela.
Naquela noite, por coincidência, ela e o marido tinham algo para oferecer. Uma sacola simples, que carregavam no carro desde a época da pandemia, com alimentos básicos.
“Eu até falei pra ele que não sabia se ele teria como preparar aquilo, mas era o que a gente tinha naquele momento.”
Depois de agradecer, seu Fabiano fez o pedido que daria origem a tudo.
Gravar um vídeo.
O vídeo que ninguém esperava
Ali mesmo, na frente do aeroporto, Gabriela pegou o celular e registrou a cena. Sem roteiro, sem planejamento. Apenas seu Fabiano, Astronauta e um apelo sincero.
Minutos depois, ainda no caminho para casa, ela publicou o vídeo.
“Eu esperava que ajudasse a encontrar alguém para adotar, mas em nenhum momento imaginei que tomaria essa proporção”, contou.
Hoje, o vídeo já soma quase 300 mil visualizações.
A história atravessou telas, cidades e alcançou milhares de pessoas. E, com isso, surgiram mensagens, ofertas de ajuda e também tentativas de adoção.
Entre a vontade de ajudar e a realidade
Nos dias seguintes, Gabriela passou a acompanhar de perto tudo o que estava acontecendo. Algumas pessoas demonstraram interesse em adotar Astronauta, mas nenhuma chegou a se concretizar.
“Foram três pessoas que procuraram, mas acabou não evoluindo”, explicou.
Ao mesmo tempo, ela decidiu ajudar da forma que podia. Comprou ração em quantidade que fosse possível de carregar, alimentos prontos para consumo, roupas leves e até itens que seu Fabiano mencionou que poderia vender, como paçoca.
Tudo pensado na realidade de quem vive na rua.
“Ele não tem como armazenar, não tem como carregar peso. Então tudo precisa ser muito bem pensado.”
Outro ponto que surgiu com força foi a necessidade de cuidados veterinários para a Astronauta. Exames, avaliação de saúde e possivelmente castração são condições para muitos interessados em adotar.
Mas isso tem um custo.
“Eu não tenho como arcar com tudo isso sozinha. Então seria muito importante ajuda de veterinários ou pessoas que possam custear essa parte."
Como ajudar seu Fabiano e a Astronauta
O mais importante é garantir um lar para a Astronauta, porque a adoção é o que realmente pode mudar essa história
A história ainda está em andamento. E existem formas reais de fazer parte dela.
A principal é a adoção. Astronauta precisa de um lar definitivo, com alguém que tenha disponibilidade e responsabilidade para cuidar dela.
Também é possível ajudar com atendimento veterinário, seja oferecendo ou custeando exames e procedimentos necessários para viabilizar a adoção.
Quem estiver no Rio de Janeiro pode ir até o entorno do aeroporto Santos Dumont, conversar com seu Fabiano e levar ajuda prática, como comida pronta, água, ração em pequenas quantidades e roupas.
Há ainda a possibilidade de contribuição financeira direta, via Pix no nome dele, para quem se sentir seguro.
E existe algo simples que fez toda a diferença até aqui.
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Nos comentários, Gabriela resumiu o sentimento que tomou conta da publicação.
“Não tinha ideia que esse post alcançaria tanta gente. Fico feliz em ver quantas pessoas boas existem.”
Ela também reforçou que continua tentando ajudar na ponte entre possíveis adotantes e seu Fabiano.
Ao longo dos dias, mais pessoas relataram já ter visto ele pelo local. Outras confirmaram a forma como ele cuida dos animais.
“Dá para ver o quanto ele é carinhoso com ela”, disse Gabriela. “É um coração enorme.”
Enquanto isso, a cena que deu origem a tudo continua acontecendo.
Seu Fabiano, ao lado da Astronauta, cuidando como pode.
E fazendo o mesmo pedido, para quem estiver disposto a ouvir.
Divulga a adoção.








