Os cães mais famosos da ciência

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Além de serem companheiros fiéis dos cientistas, os cães participaram ao lado deles de séculos de descobertas e inovações tecnológicas.

Envolver cães em algumas formas de ciência continua sendo um dilema ético porque os cães são inteligentes, sencientes e genuinamente emocionais, mas os cientistas ainda os usam em pesquisas biomédicas e estudos de toxicidade farmacêutica por muitas razões, inclusive porque a fisiologia dos cães é mais próxima da nossa do que a dos ratos.

Os cães que trabalham na ciência hoje também identificam espécies invasivas , ajudam na conservação da vida selvagem e até mesmo auxiliam a detectar os primeiros sinais do vírus da Covid-19. Como o número de funções dos cães na ciência continua a crescer, vale a pena olhar para trás, para as principais contribuições caninas para o campo.

Abaixo, você confere os 5 cães listados pelo portal Smithsonian Magazine mais famosos da Ciência.

1. Robot

As cavernas em Lascaux, no sudoeste da França, são famosas por conter alguns dos exemplos mais detalhados e bem preservados de arte pré-histórica do mundo.

Mais de 600 pinturas criadas por gerações de humanos primitivos revestem as paredes da caverna. Mas se não fosse por um vira-lata branco chamado “Robot” que, segundo alguns relatos, descobriu as cavernas em 1940, talvez não soubéssemos da arte até muitos anos depois.

Marcel Ravidat, na época um aprendiz de mecânico de 18 anos, estava passeando com Robot quando o cachorro aparentemente escorregou por uma trincheira.

Quando Ravidat seguiu os latidos abafados de Robot, ele recuperou mais do que apenas o cachorro - Robot o levou a um dos maiores achados arqueológicos do século 20!

2. Laika

Uma cadelinha de rua resgatada das ruas de Moscou, Laika se tornou a primeira cadela a orbitar a Terra em 1957.

Entre 1951 e 1952, os soviéticos começaram a enviar pares de cães para o espaço, começando com Dezik e Tsygan. Ao todo, nove cães foram enviados nessas primeiras missões, com quatro fatalidades.

Na época do lançamento do Sputnik 2, lançado com Laika a bordo, os astrofísicos descobriram como colocar a astronauta canina na órbita da Terra, mas não como trazê-la de volta do espaço.

Uma vez em órbita, Laika sobreviveu e circulou por pouco mais de uma hora e meia antes de morrer tristemente quando as temperaturas dentro da nave aumentaram muito. Se o escudo térmico da cápsula não tivesse quebrado, Laika teria morrido na reentrada.

Enquanto alguns protestaram contra a decisão de colocar Laika em órbita sabendo que ela morreria, outros defenderam o conhecimento adquirido ao mostrar que animais podem subsistir no espaço sideral.

3. Strelka e Belka

Em agosto de 1960, a União Soviética lançou a cápsula Sputnik 5 no espaço. Junto com camundongos, ratos e um coelho, dois cães se tornaram as primeiras criaturas vivas a entrar em órbita e retornar à Terra com segurança.

Essas missões com astronautas animais abriram caminho para voos espaciais tripulados. Menos de um ano após a viagem bem-sucedida de Strelka e Belka, os soviéticos enviaram o humano Yuri Gagarin ao espaço. O casal canino viveu uma vida canina plena, e até teve descendentes.

4. Marjorie

Antes de meados da década de 1920, um diagnóstico de diabetes era considerado uma sentença de morte. Em 1921, entretanto, o pesquisador canadense Frederick Banting e o estudante de medicina Charles Best descobriram a insulina, que salvaria milhões de vidas humanas.

A descoberta não teria sido possível sem o literal sacrifício de vários cães que tiveram seus pâncreas removidos, causando-lhes diabetes clínico. Os animais foram então tratados por Banting e Best com extratos pancreáticos. Marjorie foi a paciente mais bem-sucedida; ela sobreviveu por mais de dois meses com injeções diária, mesmo não tendo pâncreas.

5. Togo e Balto

Em 1925, a difteria, uma doença respiratória transmitida pelo ar à qual as crianças são especialmente vulneráveis, varreu a remota cidade mineira de Nome, no Alasca.

Como nenhuma vacina estava disponível na época, um soro de “antitoxina” foi usado para tratar a doença. Mas levá-lo a Nome foi um desafio. O suprimento mais próximo ficava em Anchorage, e os trens só podiam levá-lo a cerca de 1050 km de Nome.

Mais de 100 cães de trenó husky siberiano foram recrutados para transportar o soro, entre eles Togo e Balto.

Togo correu o dobro da distância de qualquer cão no revezamento e pelas regiões mais perigosas, enquanto Balto terminou o último trecho de 80 km, entregando o soro com segurança para as famílias em Nome.

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Gabriel Pietro têm 20 anos, é redator e freelancer. Fundou o Projeto Acervo Ciência em 2016, com o objetivo de levar astronomia, filosofia e ciência em geral ao público. Em dois anos, o projeto alcançou milhões de internautas e acumulou 400 mil seguidores no Facebook. Como redator, escreveu para vários sites, como o Sociologia Líquida e o Segredos do Mundo. Ainda não sabe se é de humanas ou exatas, Marvel ou DC, liberal ou social-democrata. Ama cinema, política, ciência, economia e música (indie). Ainda tentando descobrir seu lugar no mundo.