"Era uma sombra com olhos": Ela adotou um cachorro totalmente preto e, um ano depois, ele estava irreconhecível

Por
em Cães

Você já imaginou adotar um cachorro completamente preto e, com o passar do tempo, perceber que ele começa a mudar de cor?

Aquele cãozinho “todo escurinho”, sem nenhum detalhe claro, aos poucos vai revelando novos tons e manchas. No mínimo curioso, né?

Pois foi exatamente isso que aconteceu com o pet da jovem Vitória Bonete, que vive na Praia do Bonete, no extremo sul de Ilhabela, em São Paulo.

Ao decidir adotar Haole, ela acreditava estar levando para casa um cachorrinho totalmente preto, daqueles que parecem uma “sombra com olhos brilhantes”.

Mas, com o passar do tempo, algo começou a chamar a atenção: surgiram fios mais claros, pequenas manchas e mudanças sutis no tom do pelo. Em um ano, o pretinho foi dando lugar a nuances brancas, revelando uma beleza única que ninguém imaginava.

A transformação surpreendeu Vitória e também encantou quem acompanha a história. Muito provavelmente esse lindinho tem vitiligo em cães, uma condição que altera a pigmentação. Você já ouviu falar?

Veja abaixo como era Haole quando foi adotado.

O que é vitiligo?

O vitiligo é uma condição rara que pode afetar não só humanos, mas também cães e outros animais.

Segundo o PetMD, o vitiligo em cães é uma doença de despigmentação da pele e dos pelos, em que o sistema imunológico ataca as células responsáveis pela produção de melanina — os melanócitos — fazendo com que algumas áreas fiquem mais claras ou totalmente brancas.

De acordo com a Cobasi, essa condição é geralmente autoimune e não contagiosa, o que significa que o próprio sistema imunológico do cachorro interfere na pigmentação sem causar dor ou mal-estar físico ao animal.

Os cães com vitiligo mantêm uma vida normal e saudável; a mudança na cor é apenas estética e não afeta diretamente sua saúde ou bem-estar.

Vitiligo pode aparecer de forma gradual, causando manchas claras na pelagem ou na pele que se tornam mais evidentes ao longo do tempo.

A condição é mais perceptível em cães com pelagem escura, pois a perda de pigmento se destaca com mais facilidade. Embora rara, essa transformação é completamente normal para cães que desenvolvem vitiligo e não representa perigo imediato.

Veja como Haole está hoje, ainda mais lindo:

Adoção de Haole

Vitória contou que adotou Haole em 2018, quando ele ainda vivia nas ruas, enfrentando frio, fome e insegurança todos os dias.

Sozinho e vulnerável, o cachorrinho sobrevivia como podia, sem saber quando teria a próxima refeição ou um lugar seguro para descansar.

Sensibilizada com aquela realidade, Vitória decidiu mudar aquele destino. Não foi um gesto impulsivo, mas um chamado do coração.

Ao levá-lo para casa, ela ofereceu mais do que abrigo: deu cuidado, proteção, atenção e amor. Foi o início de uma transformação que mudaria não apenas a vida dele, mas também a dela.

A partir daquele momento, Haole deixou para trás a rotina difícil das ruas e começou uma nova história, marcada por pertencimento e segurança.

“Veio sem nada, só com coragem… e ficou com tudo: com a gente, com a praia, com a vida”, relembra Vitória, emocionada.

Desde então, Haole mostrou para que veio. Cheio de personalidade e energia, ele conquistou todos ao redor. Ama carinho, mas também ama liberdade.

Gosta de brincar, correr pela areia e, principalmente, jogar pauzinho — sua atividade favorita. É daqueles cães que vivem intensamente cada momento, como se soubessem o valor de cada segundo conquistado.

Segundo Vitória, ele também adora tomar banho, mas “do jeito dele”: entra sozinho no mar ou no rio, nada, se diverte e volta satisfeito, sem precisar que ninguém o leve. Um espírito livre, que encontrou na natureza o seu quintal.

Haole vive dias felizes, cercado pela paisagem da Praia do Bonete. Mas nem tudo foi tranquilo. Houve um momento de verdadeiro susto para a família.

Em uma virada de ano, ele sumiu. Todos sabiam que ele costumava perseguir lagartos, mas as horas passaram, depois os dias, e nada do pet voltar. A angústia tomou conta.

“Foi bem na virada de ano… eu fiquei completamente doida de preocupação. Até que meu pai achou ele”, contou Vitória.

Haole havia ficado preso dentro de um buraco. Foram momentos de tensão e medo, que reforçaram ainda mais o quanto ele era — e é — especial para todos.

Curiosamente, o nome “Haole” tem origem havaiana e significa “estrangeiro” ou “pessoa de fora”. No começo, fazia todo sentido: ele era o “de fora”, o recém-chegado, o que ainda estava aprendendo a pertencer. E havia até uma ironia divertida: morando na praia, ele nem sabia nadar direito.

Hoje, Vitória garante que ele é “o mais caiçara que existe”. Ama nadar, visitar o cerco com o pai dela, correr atrás de lagarto e explorar cada cantinho da natureza. É saudável, feliz e absolutamente único.

Veja:

Ao falar sobre ele, Vitória não esconde a emoção:

“Eu nunca mais na vida vou encontrar um cachorro igual a ele. Porque ele não é só um cachorro. Ele é história, é amor, é gratidão… e é simplesmente insubstituível.”

Haole não é apenas um pet resgatado. Ele é a prova viva de que o amor transforma destinos, de que um encontro pode mudar duas vidas para sempre. E, como Vitória resume com o coração cheio:

“Te amo, meu grande.”

Repercutiu

Vitória compartilhou a história de Haole em seu perfil no Instagram, @vihbonete_, que soma mais de 178 mil seguidores, no dia 28 de janeiro.

A publicação rapidamente chamou atenção logo nas primeiras linhas da legenda, quando ela escreveu: “E meu cachorro que era assim… e ficou desse jeito”, despertando a curiosidade dos internautas.

Em seguida, Vitória publicou uma sequência de fotos mostrando a transformação impressionante do vira-latinha ao longo dos anos — de totalmente pretinho a cheio de manchas claras e novos tons na pelagem.

A publicação viralizou rapidamente, acumulando milhares de curtidas, compartilhamentos e centenas de comentários divertidos e carinhosos. Os seguidores entraram na brincadeira e reagiram com muito bom humor à transformação de Haole:

“Sinto te informar, seu cachorro está mofado.”
“Caiu no cloro, tadinho.”
“Água sanitária manchou ele, rs.”
“Ele fez luzes, kkk.”

A postagem não apenas divertiu, mas também emocionou, mostrando como o resgate pode transformar uma vida inteira.

Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.

Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.

Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.

Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.