“Ele segue cada dia mais triste”: Por ser o único caramelo de pelo curto da ninhada, Lineu foi o único que ninguém quis adotar
Por Larissa Soares em Cães
Lineu, um vira-lata caramelo de apenas seis meses, segue à espera de uma família em São Paulo após ser o único de sua ninhada que não encontrou um lar.
Resgatado na zona leste da capital paulista ao lado de cinco irmãos, ele recebeu todos os cuidados necessários (vacinação, castração e proteção antiparasitária) antes de ser disponibilizado para adoção.
Ainda assim, enquanto os outros filhotes foram adotados rapidamente durante feirinhas, Lineu ficou para trás.
A história foi compartilhada pelo aplicativo Hyppet, que acompanha o caso e tenta dar visibilidade ao cãozinho.
Segundo o relato, Lineu era o único da ninhada com pelagem caramelo curta, característica comum entre cães sem raça definida, mas que, naquele contexto, poderia ter pesando contra ele.
“Ele segue cada dia mais triste dentro do abrigo”, descreve o projeto.
A equipe decidiu então apostar em uma estratégia diferente e levar o cão para um banho e tosa em um pet shop. A história do cãozinho foi compartilhada nas redes, na tentativa de despertar o interesse de possíveis adotantes.
O resultado mostrou um filhote saudável, dócil e com um olhar que, segundo os comentários, “esbanja charme”.
Ainda assim, o principal objetivo da ação continua sendo encontrar uma família para ele.
Caramelo: querido, mas nem sempre escolhido
A situação de Lineu levanta uma contradição comum no Brasil.
O vira-lata caramelo é frequentemente tratado como símbolo nacional nas redes sociais, aparecendo em memes, campanhas e até propostas legislativas que tentam reconhecê-lo como patrimônio cultural.
No entanto, na prática, muitos cães com esse perfil seguem enfrentando dificuldades para serem adotados.
A história também acabou se conectando com um tema que viralizou recentemente: o suposto reconhecimento do vira-lata caramelo como “raça” do México.
O “caramelo mexicano” e a repercussão nas redes
A polêmica começou após uma publicação da Procuradoria de Proteção Ambiental do Estado do México (Propaem) incluir o chamado “perrito amarillo” (cachorrinho amarelo) ou caramelo em uma lista de cães apresentados como representantes locais.
Ao lado de raças reconhecidas, como o Xoloitzcuintli, o Chihuahua e o Calupoh, o caramelo apareceu como parte de uma campanha para incentivar a adoção responsável.

A iniciativa tinha caráter simbólico e não representava um reconhecimento oficial de raça. Ainda assim, a publicação ganhou força, especialmente no Brasil, onde o animal é visto como um ícone popular.
Nas redes sociais, a reação dos brasileiros veio em forma de memes, brincadeiras e até comentários mais “defensivos”.
Frases como “o caramelo é brasileiro” e “nem os portugueses roubaram tanto de nós” circularam amplamente, sempre com tom humorado. Algumas pessoas até “ameaçaram” colocar cream cheese em comidas típicas mexicanas.
Caramelo é uma raça?
Do ponto de vista técnico, o vira-lata caramelo não é uma raça. Trata-se de um cão sem raça definida, resultado de cruzamentos ao longo de gerações.
Por isso, não existe um padrão oficial reconhecido por entidades como clubes de cinofilia.
Ainda assim, sua aparência, geralmente de porte médio, pelagem curta em tons de bege ou dourado, acabou se tornando facilmente reconhecível.
A própria publicação da Propaem reforçava o caráter educativo da ação, destacando histórias de cães que contribuem para a sociedade e incentivando a tutela responsável.

O México, inclusive, enfrenta um cenário semelhante ao brasileiro, com milhões de animais vivendo em situação de rua.
Mas enquanto a internet discute a quem pertence o caramelo, muitos desses cães, como Lineu, seguem esperando por um lar.
“Vamos provar que os caramelos são realmente uma raça brasileira e ajudar o Lineu a ganhar o seu tão sonhado lar?”, propõe a equipe da Hyppet.
Acesse o Instagram da Hyppet para mais informações sobre o projeto e adoção: (@hyppet).
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.








