Mulher encontra “gatinho” miando debaixo de goiabeira, dá mamadeira e uma semana depois descobre engano

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em Mundo Animal

Maria de Jesus achou que estava salvando um simples gatinho abandonado quando encontrou um filhote miando debaixo de um pé de goiaba, no interior do Maranhão.

Molhado, sozinho e aparentemente indefeso, o bichinho despertou imediatamente o instinto de cuidado dela, que o levou para dentro de casa sem imaginar que, dias depois, descobriria estar convivendo com um animal silvestre.

Acostumada com a presença da natureza ao redor, Maria já tinha passado por situações curiosas antes.

Recentemente, até uma cobra apareceu dentro da casa dela.

Mas nada se comparou ao susto de perceber que o “gatinho” resgatado não era exatamente um gato doméstico.

Assim que encontrou o filhote, Maria decidiu fazer tudo o que podia para ajudá-lo. Comprou leite específico para gatos, providenciou mamadeira e começou a alimentá-lo com todo cuidado.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela aparecia segurando o bichinho no colo enquanto tentava entender melhor quem era aquele animal.

“Olha aí, gente. Eu tô criando que nem um gato. Eu não sei se é um gato”, disse ela enquanto dava mamadeira ao filhote.

O jeito espontâneo de Maria conquistou a internet. O vídeo viralizou rapidamente e ultrapassou 3,3 milhões de visualizações, acumulando mais de 307 mil curtidas.

Só que, enquanto muita gente achava graça da situação, outras pessoas perceberam rapidamente que o filhote não era um gato comum e que aquilo poderia dar problema.

Os internautas começaram a alertar

Nos comentários, diversos usuários explicaram que o animal provavelmente era um jaguarundi, também conhecido como gato-mourisco.

“Esse não é um filhote de onça e sim um filhote de jaguarundi. É um animal silvestre e sua criação como animal de estimação sem autorização é ilegal”, escreveu uma pessoa.

Outras pessoas também brincaram com a possibilidade da mãe aparecer procurando o filhote.

“Se a mãe acha vocês, lascou!”, comentou um internauta, imaginando que Maria estivesse convivendo com um filhote de onça.

A despedida

No mesmo dia em que os vídeos viralizaram, equipes da Secretaria do Meio Ambiente e do Corpo de Bombeiros foram até a casa de Maria para recolher o filhote.

A entrega aconteceu de forma tranquila e respeitosa. Os agentes explicaram que o bichinho estava saudável e elogiaram os cuidados que ela teve durante a semana em que ficou com ele.

Maria, por outro lado, não conseguiu esconder a tristeza. Afinal, ela já tinha criado apego ao filhote.

“O meio ambiente chegou aqui atrás do gatinho”, contou ela em outro vídeo.

Maria explicou que realmente acreditava estar ajudando um gato doméstico abandonado: “para mim era gato mesmo daqueles de casa.”

Enquanto os profissionais preparavam o transporte do animal, Maria ainda pediu um último momento com ele.

“Deixa eu dar aqui um abracinho nele antes dele sair.”

A cena da despedida também emocionou muita gente nas redes sociais. Mesmo sabendo que o destino correto do filhote era voltar aos cuidados da fauna silvestre, os internautas ficaram tocados pela forma carinhosa como Maria lidou com toda a situação.

O filhote foi encaminhado para um centro de triagem na capital do estado, onde receberia acompanhamento especializado antes de futuramente ser devolvido à natureza.

Quem é o gato-mourisco

O filhote era um jaguarundi, também conhecido popularmente como gato-mourisco, gato-vermelho ou simplesmente mourisco.

Segundo informações do Museu do Cerrado, o animal é um felino silvestre encontrado em diversas regiões das Américas, incluindo o Brasil.

Apesar de pertencer à família dos felinos, ele tem aparência bem diferente dos gatos domésticos mais conhecidos.

O corpo é alongado e fino, com pernas curtas, cabeça achatada, orelhas pequenas e uma cauda comprida. A coloração pode variar bastante, indo do marrom escuro até tons avermelhados e bege.

O jaguarundi também chama atenção pelo comportamento. Diferente de vários felinos silvestres que têm hábitos noturnos, ele costuma ser mais ativo durante o dia e no início da noite.

Segundo o Museu do Cerrado, trata-se de um animal solitário, que vive em áreas de mata, cerrado, manguezais, restingas e até regiões de plantação de eucalipto.

A dieta inclui pequenos mamíferos, aves, lagartos, serpentes e anfíbios.

Espécie vulnerável

Embora esteja distribuído em várias regiões do continente, o gato-mourisco enfrenta ameaças importantes.

A perda de habitat causada pela expansão agropecuária, as queimadas, atropelamentos e conflitos com humanos afetam diretamente a sobrevivência da espécie.

O Ministério do Meio Ambiente classifica o jaguarundi como vulnerável.

Por isso, quando um filhote aparece sozinho, o ideal é sempre acionar órgãos ambientais.

Nem todo “gatinho” é doméstico

Histórias parecidas com a de Maria acontecem com certa frequência em áreas próximas à natureza.

Filhotes de animais silvestres muitas vezes acabam confundidos com cães ou gatos abandonados, principalmente quando ainda são muito pequenos.

Mesmo assim, especialistas alertam que animais silvestres possuem necessidades específicas e não devem ser mantidos como pets.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.