"Ele virava um lobisomem": Expulso sob alegação absurda, cão segue do lado de fora protegendo a casa que o enxotou
Por Larissa Soares em Cães
Um cão chamado Marley foi cruelmente abandonado, em Paranaguá (PR), por aqueles que diziam ser sua família. Mesmo assim, ele permaneceu em frente ao portão, se recusando a deixar o lugar que um dia chamou de lar.
O caso foi divulgado pela ONG Focinhos Carentes, no dia 1º de março e deixou os internautas de coração partido.
Ele não foi embora
Mesmo debaixo de chuva, enfrentando sol forte, fome e frio, Marley permaneceu em frente ao imóvel.
Como se ainda tivesse uma missão ali, ele continuou “cuidando” do território. Para ele, aquela ainda era sua casa.

Segundo relato da ONG, ao serem questionados, os tutores afirmaram que decidiram colocar o cachorro para fora porque a filha da família, diagnosticada com esquizofrenia, dizia ver um lobisomem no animal.
Em meio a justificativas confusas, também teriam alegado que o cão tentou “suicídio”.
“Sem palavras”, escreveu a ONG na legenda da publicação. Mas, em vez de apenas se indignar, a equipe agiu.
O resgate que tirou o sono
A história chegou até os voluntários como um pedido de socorro urgente. O vídeo mostra Marley desconfiado, mas ainda ali, firme na frente da casa.
Foram necessárias tentativas pacientes para ganhar sua confiança, até que, finalmente, conseguiram colocá-lo no carro e levá-lo até uma clínica veterinária.

Lá, Marley passou por exames. O teste de cinomose deu negativo e trouxe um alívio. No entanto, o exame de sangue apresentou alterações que impediram, naquele momento, a realização da cirurgia de castração.
O diagnóstico apontou doença do carrapato, enfermidade comum, mas que pode ser grave se não tratada. Marley iniciou tratamento imediatamente.
Hoje, ele está hospedado em um hotelzinho particular enquanto se recupera e aguarda uma nova família.
"Existem pessoas que não têm coração", escreveu um internauta nos comentários. "Marley, você vai vencer, se Deus quiser", escreveu outro.
A ONG também informou que os procedimentos veterinários, medicamentos e hospedagem ainda não foram quitados e pediu ajuda aos seguidores.
Mas além da mobilização para custear o tratamento, outro ponto foi destacado com firmeza pela ONG: abandono é crime.
Abandono é crime
A ONG reforçou na publicação que, após garantir a recuperação de Marley, pretende tomar as medidas cabíveis contra os tutores.
No Brasil, o abandono de animais é crime previsto na Lei nº 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais.
Desde 2020, a pena para maus-tratos contra cães e gatos foi aumentada, podendo chegar a reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição de guarda.
Abandonar um animal, seja em via pública, em imóveis vazios ou em qualquer outra situação, é considerado forma de maus-tratos.
Como denunciar?
Casos de abandono ou maus-tratos podem e devem ser denunciados. Algumas formas de fazer isso incluem:
- Registrar ocorrência na delegacia, presencialmente ou online (quando disponível no estado);
- Procurar a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente;
- Acionar a Polícia Militar pelo 190 em situações de flagrante;
- Denunciar ao Ministério Público;
- Informar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente ou órgãos de proteção animal da cidade.
Sempre que possível, é importante reunir provas. Fotos, vídeos, endereço e relatos de testemunhas ajudam na investigação.
Leal, mesmo após o abandono
Em dezembro de 2023, outra história semelhante aconteceu em Orange County, na Califórnia, Estados Unidos.
Dois cães, Pongo e Lily, foram abandonados na frente da casa onde viviam e esperavam pela família que havia se mudado, deixando-os para trás.
A responsável pelo resgate foi Suzette Hall, fundadora da ONG Logan's Legacy. Segundo ela relatou ao portal The Dodo, os dois cães permaneciam juntos o tempo todo.
“Literalmente, eles seguiam um ao outro pela rua e depois voltavam para o mesmo local”, contou.
Mesmo com vizinhos oferecendo comida, água e abrigo improvisado, Pongo e Lily se recusavam a deixar o ponto onde haviam visto seus tutores pela última vez.
O resgate exigiu estratégia, armadilhas e trabalho em equipe. Assustados e magros, os dois foram finalmente capturados e levados para lares temporários. Hoje, estão seguros e à espera de adoção definitiva.
Assim como Marley, eles demonstraram algo que muitos humanos ainda falham em retribuir: fidelidade incondicional.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.











