Gatos ajudam dona a manter bom humor durante tratamento contra câncer: ‘Me animaram com seu carinho’

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Uma arquiteta e urbanista aposentada de São Paulo, chamada Meli Malatesta, compartilhou sua experiência de como seus gatos colaboraram no processo de recuperação de sua luta contra o câncer.

Em uma publicação em um grupo no Facebook sobre animais de estimação, ela declarou a outros donos que estava batalhando contra um tumor de mama e como seus gatos a animaram com suas travessuras e companhia durante o tratamento.

“Acabei de me recuperar de um câncer de mama. Durante o tratamento, a presença dos meus gatos foi muito importante porque me animaram com seu carinho e com suas travessuras” - afirmou.

O relato foi publicado no grupo Meu dono é um maluco, no Facebook, no dia 20 de janeiro. Até o momento, o post conquistou mais de 3,9 mil reações e 177 comentários de internautas sensibilizados. Confira abaixo alguns:

“Minha mãe teve nossos gatos como guardiães dela, até seu último momento, eles a mimaram e vigiaram com muito amor” - relembrou uma internauta.
Os animais tem algo realmente curativo e calmante” - afirmou outra.
“Tive um período que eu queria surtar. Mas sempre que eu deitava, era eles chegarem perto que tudo mudava… Eu acredito muito que eles tiram nossa energia negativa. Sou tão feliz com 5 gatos”.

Em entrevista exclusiva ao Amo Meu Pet, Meli conta os detalhes de todo esse carinho entre seus gatos e a influência deles no processo de cura da doença.

O amor aos gatos e a influência do pai

A paixão pelos gatos começou quando Meli ainda era criança. Ela conta que sempre teve gatos em casa graças a influência de seu pai. Atualmente, ela tem dois gatinhos “sialatas” (mistura entre siamês e vira-lata) chamados Jayminho e Thiaguinho, ambos adotados em 2019. Um deles veio da ONG Adote um Gatinho e o outro do Gatinhos para Adoção. Quando eles chegaram, Meli ainda tinha uma gata siamesa, a Chris, mas faleceu no ano passado aos 16 anos por insuficiência renal.

O amor pelos felinos também foi transmitido ao seu filho, que foi presenteado com um quando tinha 8 anos de idade e permaneceu com ele por 13 anos. Ela acredita que ter um animal faz parte da educação das pessoas. Concordamos plenamente!

A companhia dos pets como refúgio mental

Todos sabemos que a vida é completamente diferente com a presença de um animal doméstico. Nossa rotina fica mais divertida com suas artes, afinal, é impossível “ver um bichano pelo chão e não sorrir” , como já dizia um dos sucessos do Skank. Com Meli não foi diferente.

“Meu gatos são jovens e super travessos. Como todo felino eles dormem bastante, mas de noite aqui a coisa pega fogo” - afirma.

Thiaguinho e Jayminho, como são chamados, tem como diversão preferida um provocar o outro, brincando de lutinha.

“É como se eles praticassem karate, ou jiu-jitsu” - brinca a dona.

Além disso, os felinos arrancam alguns sustos ao pularem de um braço do sofá ao outro. Um típico sofá de gateira.

“Quem tem gato não pode pensar em ter móveis bonitos já que eles afiam as unhas mesmo. Eu já tentei vários tecidos e não existe tecido de revestimento de sofá que dê certo com relação as unhas de gatos.”

Tais travessuras e manifestações de carinho são responsáveis por arrancar um sorriso do rosto da dona e a fazer esquecer dos problemas da vida.

A luta e a vitória contra o câncer

Meli tem certeza que seus gatos lhe ajudaram a vencer o câncer.

“O câncer é um susto na vida da gente”.

Ela descobriu a doença na metade de 2019 em um exame de rotina. Meli sempre se cuidou e não tinha histórico da doença na família. Apesar do temor com a notícia, felizmente foi descoberto no começo e o tumor não sofreu metástase. E foi então que o papel dos gatinhos se destacou ainda mais durante o tratamento, que foi bastante difícil e debilitante.

Os animais de estimação podem ajudar no tratamento do câncer. O convívio com eles proporcionam melhoras terapêuticas, como explica a psicóloga Cristiane Blanco, que atua na Terapia Assistida por Animais do Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais (Inataa):

“Alívio da dor e desconforto, redução da ansiedade e de sintomas depressivos, diminuição da sensação de solidão ocasionada pelo tratamento, entre outros…”

Além do câncer, podem ajudar em casos de estresse, depressão, paralisia, Alzheimer, autismo e entre outros. Afinal, você sabia que é permitido a entrada de bichinhos de estimação nos hospitais do Brasil para serem utilizados em terapias?!

O tratamento de Meli consistia em mais de trinta sessões de quimioterapia e uma cirurgia, o que a deixou por muito tempo fraca. Apesar das circunstâncias, não precisou abrir mão da companhia de seus gatos - ao contrário do que tantos outros proprietários de animais fazem, infelizmente, diante de adversidades.

Como seu sistema imunológico não se encontrava estável, teve que tomar muito mais cuidado para não se machucar. E o donos de gatos tem chances de serem arranhados, na maioria das vezes por acidente. Daí o motivo de Meli ter de dobrar os cuidados.

"Os cuidados que eu tomava ao conviver com meus gatos eram os que os médicos recomendaram, não precisei me desfazer deles".

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Dentre as cautelas tomadas, estavam: (1) não dormir com os gatinhos mais jovens que podiam lhe arranhar (mas deixava a mais velha por ser mais tranquila); (2) usar luvas para limpar as caixas de areia e não se contaminar - o mesmo servia com a alimentação.

O caso de Meli nos mostra que, apesar das circunstâncias, nada é motivo para abandonar um animal indefeso. Infelizmente, o caso dela é uma bola fora da curva, uma vez que os casos de abandono animal no último ano cresceram. Segundo a fundadora da ONG Cão Sem Dono, as ocorrências de pessoas abandonando seus animais aumentaram cinco vezes durante a pandemia.

A mensagem de Meli

Meli é a prova viva de que pets influenciam positivamente na vida de tutores, melhorando sua saúde física e mental, os auxiliando na superação de doenças.

“O tratamento do câncer é como se fosse uma longa travessia em um mar revolto. A gente também precisa se cuidar psicologicamente porque é um processo que nos abate muito, os efeitos da medicação são muito fortes, muito perversos, e a presença de um animal que nos dá amor de forma gratuita é importante para nossa travessia” - justifica.

Independente se a pessoa está doente ou não, Meli acredita que a convivência com animais é muito importante. Ela já pode estar aposentada, mas eventualmente dá consultoria e aulas, então trabalha de casa e seus gatos são uma excelente companhia. E seus bichanos, amorosos como são, retribuem toda a atenção dada a eles.

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Estudante de jornalismo que é apaixonado por tudo que tenha super-heróis, dragões e faroeste (ele se pergunta todo dia quando que vai lançar um filme misturando os três). Gosta de ler, com um favoritismo em fantasia (por que será?) e adora ver séries em geral. Ama estudar sobre criatividade e sociologia. Tem uma doguinha perfeita e sem defeitos chamada Athena. Também gosta de cinema e matar tempo nas redes sociais vendo memes.